Para começar o ano com o pé direito (e o esquerdo também).

Para o nosso primeiro post de 2020 vamos falar sobre os pés. Afinal de conta eles que sustentarão o peso do nosso corpo neste ano que se inicia. Além disso, os pés são importantíssimos para a dança, contudo, muito pouco cuidados. 

Além sofrerem com bolhas, calos, sapatilhas apertadas e queimaduras no linóleo (pergunte para sua amiga “contemporânea” caso nunca tenha passado por isso), os pés não são devidamente preparados antes de uma aula ou ensaio. Levante a mão quem alonga os pés antes de dançar (qualquer modalidade de dança). 

Grande parte desse “abandono” com nossos queridos pezinhos se dá por falta de conhecimento. Por exemplo, você sabia que cada pé humano possui 26 ossos e 33 músculos? Sendo que os 52 ossos dos dois pés juntos representam ¼ de todos os ossos do corpo? Além disso, é a parte do corpo que contém mais terminações nervosas por centímetro quadrado e é por isso que sentimos cócegas e, também, dores ao utilizar sapatilhas por tempo prolongado. Por fim, os pés são a zona do corpo com mais glândulas sudoríparas por centímetro quadrado (250.000 glândulas produzindo, em média dois decilitros de suor por dia).

Lesões nos pés vão além de fraqueza ou excesso de rigidez. Excesso de treinamento, características físicas e biomecânicas também afetam a incidência de lesões. Por isso, é importante realizar avaliações físicas periodicamente, uma vez que nosso corpo está sempre em transição, e realizar treinamentos apropriados para corrigir/balancear o corpo biomecanicamente. O tipo de pisada também pode causar compensações em cadeia em outras estruturas do corpo, indicando que, lesões em outras articulações, como joelhos, quadris e até ombros, podem estar relacionadas aos pés. 

Os movimentos realizados pelos pés são muitas vezes resumidos em flexão plantar e dorsal (ponta e flex respectivamente), contudo, existem muito mais movimentos realizados pelos pés que são cruciais para o desempenho na dança. 

Outros movimentos realizados são conhecidos como eversão e inversão, mas os pés também são capazes de realizar um movimento chamado circundução. Que é quando rodamos os tornozelos passando por todas as direções. Os pés são, na verdade, uma estrutura tão complexa e mal-entendida que vamos por partes. Que tal começar da ponta? Não da sapatilha… da ponta dos pés! Os dedos. 

Para quem pensou “aaaaaah” não se preocupe, afinal, não tem como falar dos dedos e não falar da sapatilha de ponta. Porque para subir na sapatilha de ponta, por exemplo, partindo da meia-ponta, a força necessária é realizada pelos músculos dos dedos (flexores dos dedos) e não pelos músculos da panturrilha (estes são responsáveis por realizar o movimento de subir na meia-ponta). Mesmo assim, muitos bailarinos abusam dos relevés achando que estão se preparando para as sapatilhas de ponta. 

Neste vídeo (https://youtu.be/W5g9Hlp42Ss) por exemplo, nossa fisioterapeuta Luciana Bruschi está realizando um exercício de propriocepção; repare como o peso do corpo varia entre o dedão e o dedinho. Não conseguiu ver? É porque esses movimentos são tão discretos que a maioria dos bailarinos deixam eles passarem despercebidos. Mas os músculos dos dedos, mais uma vez, são também responsáveis pela manutenção do equilíbrio, não apenas os músculos que envolvem os tornozelos. 

Abduzir os dedos (separá-los uns dos outros), também ajuda no equilíbrio, abrindo a sua base de apoio no chão. Contudo, sapatilhas apertadas acabam comprimindo os dedos e metatarsos, impossibilitando que esses músculos possam se contrair e relaxar adequadamente para equilibrar o corpo. 

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O ideal é fazer uma massagem (ensinamos – gratuitamente – essa massagem na Plataforma de Ensino a Distância Bastidores ead.bastidorestraining.com) antes e depois de dançar. Tanto para preparar os músculos quanto para descansá-los e promover recuperação para o próximo dia de trabalho. Se os seus dedos estão como na foto abaixo:

Preocupe-se! Você não quer causar uma inflamação nos músculos entre os metatarsos quer? Acredite quando eu digo, por experiência própria, a dor é cruciante (nas áreas destacadas em vermelho na foto abaixo), principalmente ao subir na meia-ponta.

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